Matheus Oliveira: DESABAFO DE UM VELHO PAI

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

DESABAFO DE UM VELHO PAI

Amado Filho, hoje já não sou mais aquele mesmo homem de alguns anos atrás... Por isso, peço-te, que tenhas paciência comigo, e que me compreendas:

Quando eu derramar comida sobre minha camisa ou esquecer como amarrar meus sapatos, lembra-te das horas em que, quando ainda pequeno, passei te ensinando a fazer essas mesmas coisas.

Se ao falar contigo, eu repetir as mesmas histórias que você já sabe de sobra como terminam, não me interrompas, escute-me. Afinal, para que você dormisse em teu berço, tive que contar incontáveis vezes a mesma estória até que seus olhinhos fechassem...

Se estivermos reunidos, e sem querer eu fizer minhas necessidades, ali, no meio de todos, não te envergonhes, compreenda-me, eu não tenho culpa, pois já não as posso controlar... Você se lembra quantas vezes, pacientemente, troquei suas roupinhas para que estivesses sempre limpinho e cheiroso.

Não reproves se acaso eu não quiser tomar banho, seja paciente, e lembre-se dos momentos em que corri atrás de ti e dos mil pretextos que eu dava para convencê-lo a banhar-se...

Se me vires parado, meio que inútil e ignorante em frente das novas tecnologias, te suplico, me dê todo o tempo que for necessário (e não me lances teu riso sarcástico), afinal, fui eu quem te ensinou tantas coisas: a comer, ater bons modos, a se vestir, como enfrentar a vida tão bem como hoje fazes, isso tudo, filho, é o resultado do meu esforço e da minha perseverança.

Se alguma vez eu não quiser comer, saibas insistir com carinho, assim como fiz contigo.

Compreendas que, assim como era em você, quando pequetito, eu também já não tenho dentes fortes e nem agilidade para engolir...

E quando minhas pernas falharem, e que eu já não conseguir me equilibrar, com ternura, dá-me tua mão para que eu possa nela me apoiar, como eu fazia contigo, quando destes os primeiros passinhos...

Peço-te, filho, se em algum momento eu me esquecer do que estava te falando num bate-papo qualquer, não saia de perto, não me vires as costas, pois a única coisa importante pra mim é a sua proximidade, e não o que nós estávamos dialogando.

E no mais, o meu último pedido é este: não me olhes com dó, e nem te sintas triste ou impotente por me veres assim. Dá-me apenas o teu coração, me apóie como sempre fiz contigo quando começastes a vida, e isso já me é suficiente, e me dará forças e muita coragem... Da mesma maneira que eu te acompanhei no início da tua jornada, me acompanhes agora, até terminar a minha.

“Ouça o seu pai, que o gerou; e não despreze a sua mãe (ou ele) quando envelhecerem” (Provérbios 23: 22)



Silvana Lacerda
silvanadaeliza@hotmail.com
Igreja Cristã Evangélica Casa de Oração
Montanha - ES

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