Matheus Oliveira: O Restaurador

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Restaurador



 
"Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6). 

Uma das grandes esperanças de todos os cristãos é a vida eterna. Afinal, sem ela, que podemos esperar? Será que vivemos, morremos e nos decompomos para sempre no solo ao lado dos animais? Não, este não é nosso fim. Temos a esperança de vida eterna – que não é uma continuação da vida aqui neste mundo como agora é.  Nosso mundo de breve existência já é bastante complicado. Imagine este mundo continuando assim para sempre. 

Ao contrário, recebemos a maravilhosa promessa: "Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos Novos Céus e Nova Terra, nos quais habita justiça" (2 Ped. 3:13). A vida eterna não é viver para sempre neste mundo pecaminoso, mas em um mundo novo onde iremos morar, sem pecado, sem morte, sem pecadores – mas com "justiça". 

Desde o início, Deus vem trabalhando em direção a esse objetivo de um Novo Céu e uma Nova Terra em que habita a justiça. E é aqui que o plano de salvação fica decisivo, pois este plano é a maneira de Deus trabalhar para nos levar para essa nova Terra. É por isso que a salvação inclui o processo de restauração. 

Criados à imagem de Deus (Gênesis 1

Até mesmo a leitura mais simples do relato da criação em Gênesis revela que nossa existência não é por acidente. Não estamos aqui por causa de forças cegas, sem propósito que, depois de tempo suficiente, acabaram transformando este planeta em um mundo cheio de gente. Ao contrário, estamos aqui porque Deus nos pôs aqui intencionalmente. Verso após verso em Gênesis 1 descreve explicitamente Deus como agente da criação. Em outras palavras, havia um plano distinto para nossa existência. Nada foi deixado ao acaso. Contraste essa visão com a teoria evolucionista, que alega que estamos aqui por acaso; que não havia nenhum plano, propósito, intenção para nós. Somos um acidente cósmico, nada mais. É difícil imaginar uma posição mais contraditória com as origens bíblicas do que a evolução. Não é de admirar que Satanás trabalhe tão intensamente para promovê-la. 

Seja o que for que signifique ser criado à imagem de Deus (Gênesis 1:26, 27), também deve incluir a capacidade de amar. Como seres criados à imagem de um Deus que "é amor", o que mais poderíamos ser? Essa capacidade de amar nos torna completamente diferentes do restante dos seres criados em Gênesis 1. Nem a Lua, nem a grama, os mares e até os animais – nenhum dos quais foi criado à imagem de Deus – têm a capacidade de amar como os seres humanos. Certamente, a capacidade de amar, como nós temos, nos torna diferentes de tudo o mais que foi criado. 

O amor e a queda 

O que Adão e Eva precisavam possuir a fim de poderem cair? Gênesis 3:1-6

Fomos criados à imagem de Deus e, embora essa passagem possa ter outros sentidos mais, pelo menos deve significar que recebemos a capacidade de amar. Mas o amor, a fim de ser amor, precisa ser livre. Isto é, Deus não pode forçar Suas criaturas a amá-Lo, ou uns aos outros. O amor não pode ser forçado. Se recebemos a capacidade de amar, também recebemos o livre-arbítrio. A queda é um poderoso exemplo do que acontece quando seres com livre-arbítrio tomam decisões erradas. 
E nós também, milênios depois do Éden, temos escolhas livres. Mas nossa situação é muito pior que a de Adão e Eva antes da queda. Eles eram seres perfeitos, vivendo à plena luz da glória de Deus; sua natureza não era corrompida ou pecaminosa. Em contraste, nós somos seres caídos com natureza pecaminosa, corrompida e mergulhada em iniqüidade. Uma coisa é ter livre-arbítrio enquanto se é perfeito; outra é ter esse mesmo livre-arbítrio depois de corrompidos pelo pecado. O que é mais assustador: uma pessoa bondosa, gentil e amável carregando uma arma de fogo, ou uma pessoa sórdida, rancorosa e odiosa que apresenta a mesma arma? 

Que quadro os seguintes textos nos dão sobre a natureza humana não regenerada? Jer. 17:9Rom. 1:21Romanos 5:12Efés. 2:3Tito 1:15 

A Bíblia é muito clara sobre a condição da natureza humana caída. É má, muito má e, deixada a si própria, levaria toda a raça humana à morte e à destruição. Tudo o que precisamos fazer é olhar ao redor no mundo de hoje, e podemos ver, em todos os lugares, os resultados do que nossa natureza caída fez: guerra, terrorismo, vício, exploração, prostituição, crime, e por aí vai. Unicamente pela graça de Deus não nos destruímos a nós mesmos. Sem dúvida, se houvesse tempo suficiente, seria isso o que veríamos. 

Segunda chance 

Como criaturas caídas, nossa situação era desanimadora. As ações de Adão e Eva depois da queda refletiam perfeitamente o estado da humanidade: assustada, alienada de Deus e uns dos outros, culpada e envergonhada. Com seus filhos, foi acrescentado o assassinato à lista de maldades humanas (Gên. 4:8), e em breve seu coração "era continuamente mau" (Gên. 6:5). 

Sabemos que Deus não abandonou a humanidade à própria sorte para sofrer os resultados plenos e finais do pecado. Todo o plano de salvação foi estabelecido pelo Senhor a fim de nos salvar da ruína que de outra forma teria sido nossa. Jesus veio e passou pela mesma experiência de Adão, com a diferença de que onde Adão falhou, Jesus teve sucesso – e por causa do que Jesus realizou, todo o mundo teve outra oportunidade. Pela fé em Jesus, todos, em qualquer lugar, podem ter a promessa da vida eterna, a promessa de ter restaurado tudo o que foi perdido pelo pecado. 

Jesus veio e, por tudo o que realizou com Sua vida sem pecado e por Sua morte expiatória, a raça humana teve outra chance. Neste sentido, a raça humana, como um todo, foi restaurada ao favor de Deus. Isto não significa que a raça inteira está automaticamente salva ou justificada; significa, sim, que todos tiveram outra oportunidade. A destruição que deveria ter sido nossa por causa de Adão foi evitada por causa de Jesus. 

"A Palavra de Deus declara que não somos de nós mesmos, que fomos comprados por preço. Foi a um elevado custo que fomos colocados em terreno vantajoso, onde podemos encontrar liberdade da escravidão do pecado, provocada pela queda no Éden. O pecado de Adão mergulhou a raça em desesperada miséria; mas, pelo sacrifício do Filho de Deus, foi concedida ao homem uma segunda oportunidade. No plano de redenção, foi provido um caminho de escape para todos os que se valerem dele." –  Christian Temperance and Bible Hygiene, pág. 15. 

A restauração

Apesar de nossa situação desesperada, Deus não nos deixou sem esperança. Pelo contrário, recebemos grande esperança por meio de Jesus Cristo, que abriu o caminho para que cada um de nós voltasse ao que teríamos sido antes da queda. 
E o processo começa agora. O evangelho não é apenas salvação; não é apenas mudança em nossa condição legal diante de Deus. Evangelho também é restauração. Originalmente, fomos feitos à imagem de Deus. O plano de salvação é o processo para nos restaurar àquela condição. Isso não é algo que só acontecerá na segunda vinda: é um processo que começa agora. O Espírito Santo está trabalhando para restaurar em nós o que foi perdido pelo pecado. 

Deus trabalha para transformar à Sua imagem os seres caídos, mudando sua vontade, sua mente e seus desejos. Em resumo, o Espírito Santo trabalha em nosso caráter. Participando da natureza divina, somos transformados. "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (2 Cor. 3:18). Essa é a imagem de Deus, e isso nos foi revelado por Jesus, que era "a expressão exata" (Heb. 1:3) da pessoa de Deus. Mas, pelo fato de Jesus não estar aqui em carne, o Espírito Santo está aqui como Seu representante, nos revelando as verdades que mudarão e transformarão nossa vida. Esse é um processo de restauração que não será completado até que exista um Novo Céu e uma Nova Terra. Até lá, Deus está trabalhando em nós agora, preparando-nos para uma nova existência que foi tornada disponível para nós por Jesus. 

A restauração 
    a. Rom. 5:1;     b. 2 Cor. 5:17   c. Efés. 4:24
    d. Filipenses 2:12, 13;     e. 1 Ped. 5:10

A vida cristã é uma estrada em direção à perfeição (Rom. 12:2; Tiago 1:4), uma palavra que no Novo Testamento traz a idéia de concluído, completamente crescido ou amadurecido. Devemos ser perfeitos em nossa esfera finita e caída assim como Deus é perfeito em Sua esfera infinita e absoluta (Mat. 5:48). 

À parte de Cristo, evidentemente, não podemos atingir qualquer tipo de "perfeição". Mas Cristo "Se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (1 Cor. 1:30). Em Cristo, essas qualidades constituem nossa "perfeição" diante de Deus. Ele completou, de uma vez por todas, nossa santificação e redenção. "NEle, [estamos] aperfeiçoados" mesmo agora (Col. 2:10). É trabalho do Espírito Santo tomar esses produtos "aperfeiçoados" e manifestar em nossa vida a realidade do que Cristo fez por nós. Nosso crescimento, o desenvolvimento de nosso caráter, nossa restauração em direção à imagem de Deus, se tornam expressão viva do que significa ser "tomados de toda a plenitude de Deus" (Efés. 3:19). Em Cristo, o Espírito Santo está tornando real em nós a realidade do que Cristo fez por nós. Ninguém pode ser cristão sem estes dois aspectos da salvação, fundamentais para a nova vida em Cristo. 

 "Não há constrangimento na obra da redenção. Não se exerce nenhuma força externa. Sob a influência do Espírito de Deus, o homem é deixado livre para escolher a quem há de servir. Na mudança que se opera quando a pessoa se entrega a Cristo, há o mais alto senso de liberdade. A expulsão do pecado é ato do próprio indivíduo. Na verdade, não possuímos capacidade para livrar-nos do poder de Satanás; mas quando desejamos ser libertos do pecado e, em nossa grande necessidade, clamamos por um poder fora de nós e a nós superior, as faculdades são revestidas da divina energia do Espírito Santo, e obedecem aos ditames da vontade no cumprir o querer de Deus." – O Desejado de Todas as Nações, pág. 466. 

 "Aqueles que são gerados para uma nova vida pelo Espírito Santo se tornam co-participantes da natureza divina, e em todos os seus hábitos e práticas dão testemunho de sua relação com Cristo." –SDA Bible Commentary, vol. 6, pág. 1.101.

Fonte: Estudos - BibliaOnline.net

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