Matheus Oliveira: Os cárceres da alma - Salmo 142.7

domingo, 18 de março de 2012

Os cárceres da alma - Salmo 142.7

O livro de I Samuel 24 nos relata uma terrível experiência que Davi enfrentou antes de tornar-se rei em Israel. Samuel já o havia ungido como rei, mas, ele estava aguardando o tempo do cumprimento da promessa em sua vida. Saul fica sabendo que Davi seria rei em seu lugar e começa a persegui-lo a fim de matá-lo. Davi então foge e se esconde dentro de uma caverna e para sua surpresa quem é que entra na caverna logo depois? Seu arquiinimigo Saul. Ao invés de matá-lo, Davi poupa a vida de Saul e o deixa ir. Tempos depois, Davi sofre outra ferrenha perseguição e se vê completamente cercado por seus inimigos. A partir desta experiência de profunda dor emocional Davi compõe este salmo comparando a enorme pressão da perseguição com o um enclausuramento forçado em uma caverna.
Fazendo a leitura deste salmo para os nossos dias gostaria meditar com os amados neste tema “Os cárceres da alma”. O que são estes cárceres? por que ficamos encarcerados? e como sair destes cárceres?
O cárcere da alma é uma situação traumática que não sai de sua mente. Aconteça o que acontecer está lá. Passam-se dias, meses e anos e aquilo não sai da sua mente. Você sente que este sentimento está corroendo sua alma. Talvez a coisa tenha sido tão profunda que tenha gerado até mesmo uma depressão ou outros tipos de distúrbios de ordem emocional.
Há muitas situações terríveis que passamos durante a nossa vida que nos marcam e vivemos aprisionados, refém de sentimentos e ressentimentos que nos afligem.  Quero meditar sobre alguns destes cárceres que nos aprisionam:

1. Primeiro cárcere é o da culpa – quando fazemos algo que não deveríamos ter feito. Davi poderia ter escolhido ter matado a Saul quando ele entrou na caverna, mas ele não fez. Muitas de nossas culpas são por decisões erradas que tomamos, por esta razão é muito bom pensar e orar bastante antes de tomar uma importante decisão, para não vir depois este sentimento.
Lembro-me de uma mulher que me procurou para aconselhamento quando estava ministrando em uma igreja em outro estado. Ela era uma jovem casada, com filhos, e aparentemente tudo estava bem em seu casamento. Ela conheceu um homem e se deixou levar pela paixão, acabou se entregando para ele. Depois do ocorrido ela viu a grande besteira que tinha feito e como aquilo estava doendo em sua alma.
Muitas pessoas ficam aprisionadas no cárcere da culpa e se escondem em suas cavernas. Este cárcere consome todas as nossas energias. Aquela mulher viveu meses carregando aquela culpa, até que ela veio conversar comigo e eu disse que ela teria que conversar com o seu marido se quisesse livrar-se daquela culpa. Não existe libertação sem confissão. Se ela não confessasse teria que carregar aquela situação o resto da vida. Óbvio, havia o risco do marido não aceitá-la mais, mas, este é o risco que o perdão exige, a confissão.
Se você algum dia fez algo que te levou para o cárcere, então você está aprisionado a esta situação. Você precisa confessar para ser liberto deste sentimento. “Confessai as vossas culpas uns aos outros para serdes curados”.

2. Segundo cárcere é o da mágoa – quando alguém fez algo conosco que nos feriu. O oposto da culpa é a mágoa. Se por um lado alguém fere, por outro alguém foi ferido. É preciso tratar dos dois lados, tanto do agressor quanto do agredido, por que no final os dois estão doentes. A mágoa corrói todo o nosso ser e nos aprisiona em um cárcere poderoso. Ficamos presos em uma caverna com alguém que nos feriu e queremos nos vingar. Davi estava sendo perseguido por Saul, e era óbvio que o que ele queria era ser aceito por Saul. Por esta razão ele tenta agradar a Saul de todas as formas, mas, o que recebe é perseguição e ofensa.
No filme "Trezentos" o personagem Efialtes ofereceu-se para lutar junto com o 300 de Esparta, mas, foi recusado devido a sua deficiência física que dificultaria manobras militares. A sua mágoa o consumiu de tal forma que ele aliou-se ao exército inimigo. Aquela foi a sua maior derrota. A magoa pode consumir uma pessoa tonardo-a insensível e cruel.
Lembro-me de uma situação que um pastor amigo nosso nos contou: ele era membro de uma igreja e o seu pastor o perseguiu durante anos, e então um belo dia cansado saiu da igreja e foi para outra. Ele carregou aquela dor durante anos, até que assumiu um ministério. Afinal, o que o membro da igreja mais quer é ser amado por seu pastor. Então, após se passar dez anos, ele chama aquele pastor para pregar em sua igreja e declara publicamente o seu perdão. Ele ficou livre daquela mágoa que carregava.
O melhor remédio para a mágoa não é a vingança e sim o perdão. Pessoas que se vingam podem até sentir certa satisfação inicial, mas nunca ficarão curados.

3. Terceiro cárcere é o do medo – quando algo nos amedronta tanto a ponto de nos impedir de continuar. O medo é algo natural, uma defesa que nos avisa quando estamos em perigo. Entretanto há situação que enfrentamos que geram traumas e aprisionam a nossa alma e este cárcere nos impede de prosseguirmos e nos realizarmos.
Juizes 6 fala de um período enquanto os midianitas estavam aterrorizando o povo hebreu. Eles cavam literalmente covas para se esconderem com medo de serem saqueados. O medo faz com que nos escondamos. Deus então levanta a Gideão como líder da nação para restaurar a confiança.
Talvez alguma experiência traumática tenha te encarcerado em uma caverna e hoje você tem medo de enfrentar uma determinada situação. Creia que o nosso Deus é maior do que qualquer problema e pode te ajudar a vencer este medo.

4. Quarto cárcere da decepção e frustração – Quando queríamos muito que algo acontecesse e não aconteceu. Davi quando recebe a unção de Samuel que seria rei deve ter imaginado muitas coisas, talvez que Saul iria treiná-lo, e que ele fosse ficar feliz com sua unção. Afinal, Davi considerava Saul como um pai. Para sua surpresa e frustração Saul começa a persegui-lo e criar situações para matá-lo.