Matheus Oliveira: O Discipulado prático (Lucas 9.23-26)

sábado, 14 de abril de 2012

O Discipulado prático (Lucas 9.23-26)

Introdução. O discipulado proposto por Jesus de Nazaré é um chamado à ação; por isso pode ser chamado de discipulado prático. Evidentemente, a resposta ao chamado para ser discípulo exige uma decisão consciente e radical, sem perder de vista as implicações, bem como as exigências do discipulado autêntico. Diante do chamado irresistível de Jesus, cabe-nos respondermos com fé e atitude, entendendo que a vocação para ser discípulo é fruto da graça divina; portanto, após ouvirmos o chamado não nos resta outra coisa, senão seguirmos a Jesus com humildade, submissão e dedicação total.
Algumas considerações:

  • Diante do chamado de Jesus devemos avaliar as nossas ações, posturas, discursos e valores, verificando se de fato estamos em sintonia com aquilo que Jesus propõe no seu discipulado prático.
  • O aprendizado referente ao discipulado é algo inacabado, precisa ser constante e jamais deve ser negligenciado por aqueles que desejam seguir o Mestre Jesus.
  • O chamado é para todos, mas o discipulado é para os que estão dispostos a dizer sim à vocação de Jesus: "E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim..." Para Barth, o escutar o chamado do Senhor é algo inerente a todos os homens, mas o ouvir apenas aos discípulos.
Exigências do Discipulado:
  1. "a si mesmo se negue". Para dizer sim ao discipulado é necessário que a pessoa diga não à sua própria prepotência e rebelião contra Deus. É imperativo compreender que é preciso sujeitar a sua própria vida a Jesus, para alcançar uma vida mais elevada e excelente, que é a nova vida em Cristo.
  2. "dia a dia tome sua cruz". Não se trata de uma cruz material, nem tampouco diz respeito aos nossos problemas pessoais ou familiares. Cruz, na verdade, é lugar de crucifixo; é preciso que o velho homem seja crucificado, a fim de que renasça o novo homem com o caráter de Cristo. Nas palavras do apóstolo Paulo, com a crucificação do velho homem, Cristo passa a habitar na vida do discípulo: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carene, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e si entregou a si mesmo por mim" (Gl 2.20). A cruz é para ser tomada a cada dia (Lc 9.23).
  3. "e siga-me". Ser discípulo é estar preparado para abrir mão de quaisquer outras coisas que impeçam  o seguimento a Jesus.
"Seguir a Jesus consiste e, um comando incondicional, e sim não pode ser aceito se não for incondicionalmente. Uma prontidão limitada não é prontidão alguma quando estamos lidando com Jesus" (Barth).
  • Siga-me. "é a essência do chamado pelo qual Jesus faz das pessoas seus santos. O chamado é omitido por Jesus é o chamado ao discipulado".
  • Diante do chamado de Jesus não temos condições alguma de sugerir como devemos segui-lo: "Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança a mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus" (Lc 9;61-62).
Resultado do Discipulado Prático (v. 24)
  • Quem perder a vida por amor a Jesus, esse salvará.
  • É preciso "perder" para "salvar" e "morrer" para "viver".
O vir após Jesus significa salvar a própria vida, o que indica simultaneamente, perder a nossa vida para achá-la em Cristo: "Porque qualquer que quiser salvar sua vida perdê-la-à; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará" (Lc 9.24).
Aderir ao discipulado como um estilo de vida é uma questão de fé. Não é possível seguir seguir a Jesus com firmeza e constância, ou mesmo dar os primeiros passos na vida cristã sem que o nosso coração esteja repleto de fé. É preciso fé obediente, fé que conduz o crente ao relacionamento com Jesus, fé que impulsiona o discípulo a fazer do seguimento a Jesus um estilo de vida, sem reduzir a graça e a profundidade do discipulado.

Uma questão para pensar (25):
"Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou causar dano a sim mesmo"? Nenhum bem que o homem venha a possuir, por mais valioso que seja, será capaz de salvar a sua própria vida. A vida sem discipulado é o mesmo que perder-se ou prejudicar-se a si mesmo. Perdição e prejuízo é o que pode ocorrer quando negamos a Jesus de Nazaré.
O discipulado autêntico se estabelece na vida do crente quando ele decide dizer sim ao chamado irresistível de Jesus, passa a nagar-se a sim mesmo, crucifica o "eu" e segue após Jesus. Noutros termos, o seguimento a Jesus se concretiza quando deixamos de negar ao Mestre e passamos a negar a nós mesmo, crucificando-nos com Cristo. Assumir um compromisso real com Jesus Cristo, implica em abrir mão de compromissos secundários, que não coadunam com os princípios do Reino de Deus.

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